quinta-feira, 15 de maio de 2014

MINISTÉRIO PASTORAL FEMININO

Por Russel Shedd
Ordenar mulheres como pastoras cria, no coração de muitos cristãos, uma reação negativa. A controvérsia sobre a vontade de Deus ser favorável à elevação de mulheres para exercer o pastorado sobre uma igreja local, que é antiga, tornou-se mais acirrada ultimamente, por causa da decisão da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil (OPBB) de receber pastoras como membros. A maioria apoiou a liberdade das distintas seções da entidade de aceitar ou não, no seu rol de membros, mulheres ordenadas. Como existem mulheres batistas ordenadas por algumas igrejas, parecia natural que fossem incluídas no rol de membros da OPBB, juntamente com seus companheiros de púlpito do sexo masculino. A polêmica que se levantou entre os pastores nos dois lados da questão, infelizmente, nem sempre foi discutida de modo amável e respeitoso. Ficou claro, desde logo, que a decisão tomada pela OPBB dividiu os representantes da denominação.
Independente de se tomar ou não partido, é preciso lançar um pouco de luz sobre o ministério feminino, segundo a cultura e a Bíblia Sagrada. A influência da sociedade e da cultura sobre a Igreja de Jesus Cristo tem sido notável e constante desde o primeiro século, e o Cristianismo tem lutado, desde então, para manter sua essência. Ora, a identidade da Igreja não pode ser mantida apenas repetindo-se as práticas e tradições dos nossos antepassados. No caso específico do ministério feminino, a cultura brasileira segue a passos largos as mudanças do mundo ocidental, de maneira que a ordenação de mulheres ao pastorado parece tão natural como foi a eleição de uma mulher para a Presidência do país. Hoje, o gênero feminino de destaca em todas as áreas – mulheres sobressaem na vida acadêmica, seguem carreiras de sucesso, destacam-se nas funções públicas, fundam e administram empresas. Enfim, elas são tão inteligentes como os homens. Por isso, várias denominações aceitam a ordenação feminina e colocam mulheres em pé de igualdade com os irmãos pastores.
Mas, vamos às Escritura. A criação do ser humano revela o plano de Deus de formar o homem à sua imagem. A criação da mulher, a partir da carne e do osso do homem para ser auxiliadora do marido, fica clara no texto bíblico, em Gênesis 2.21-24. Todavia, o plano do Senhor na criação do gênero feminino a partir do homem, para que ambos vivessem na mais perfeita harmonia e se multiplicassem para encher a terra, foi contrariado com a queda. Assim o apóstolo Paulo trata da questão, conforme registrado em I Timóteo 2.11-15: “A mulher deve aprender em silêncio, com toda a sujeição. Não permito que a mulher ensine, nem que tenha autoridade sobre o homem (...) Porque primeiro foi formado Adão, e depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a ,mulher que, tendo sido enganada, tornou-se transgressora”. Ora, Adão estava plenamente consciente da desobediência que cometia. Por isso, ele, e não Eva, é culpado pelo pecado original que tem infectado tosos os seus descendentes até hoje.
Porém, Jesus cumpre o papel de segundo Adão, redimindo a criação. “Assim como uma só transgressão resultou na condenação de todos os homens, assim também um só ato de justiça resultou na justificação que traz vida a todos os homens” (Romanos 5.18). Neste ato, mais uma vez fica claro a posição masculina: Jesus, o eterno Filho, se encarnou em corpo de homem, e não de mulher, para confirmar o ensino, presente em toda a Bíblia, de que a responsabilidade final é do homem.
GOVERNO MASCULINO
Este tem sido o entendimento ao longo dos séculos. Desde o início, a cristandade sempre manteve a responsabilidade e liderança do homem como princípio fundamental. A identidade da Igreja se baseia na concepção de o povo de Deus ser edificado sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo Jesus Cristo como pedra angular, conforme o mesmo Paulo escreve aos efésios. Se Jesus tivesse escolhido uma “apóstola” para estabelecer e manter a estrutura da Igreja que ele edificava, não haveria qualquer controvérsia. Da mesma forma, se uma mulher tivesse sido escolhida para escrever um ou mais livros da Bíblia, toda a polêmica nas igrejas em torno da liderança feminina simplesmente não existiria. Mas não foi isso que aconteceu.
Ao escrever sua carta a Timóteo sobre a liderança da igreja, Paulo diz: “Se alguém deseja ser bispo (isto é, supervisor), é necessário que ele seja irrepreensível, marido de uma só mulher. Deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda a dignidade. Pois se alguém não sabe governar sua própria família, como pode cuidar da igreja de Deus?” (I Timóteo 3.1-5). Segundo a Bíblia, o governo da casa cabe ao pai. O papel da esposa e mãe é ensinar os filhos a se submeter à liderança do pai “no Senhor”. Em outras passagens do Novo Testamento, temos referências a presbíteros. Paulo também escreveu a Timóteo dizendo que estes oficiais, quando lideram bem a igreja, são dignos de dupla honra, especialmente aqueles cujo trabalho é a pregação e o ensino.
Por outro lado, não há qualquer sugestão, no Novo Testamento, de que mulheres ocuparam posição de liderança nos tempos bíblicos. “Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas” recomenda o texto de Hebreus 13.17. Paulo desenvolve seu entendimento sob5e a sujeição da mulher e a liderança do homem no lar e na igreja na hierarquia da Trindade. “Quero, porém, que entendam que a cabeça do todo homem é Cristo, e o cabeça da mulher é o homem, e o cabeça de Cristo é Deus” (I Coríntios 11.3). Ainda que alguns estudiosos tentem convencer aos sues leitores de que a palavra “cabeça”, neste texto, deve ser entendido como “fonte” ou “origem”, tal argumento não subsiste a uma análise mais criteriosa. Se a conotação de “cabeça” fosse essa, seria possível declarar que a origem de Cristo é Deus – contudo, João declara, em seu evangelho, que o Logos (o Verbo) estava no princípio com Deus e que, de fato, era Deus.
A subordinação da mulher casada encontra seu mais importante papel na administração do lar, e não competindo com o homem desenvolvendo sua carreira no mundo, de acordo com Paulo. “A mulher será salva dando à luz filhos – se elas permanecerem na fé, no amor e na santidade, com bom senso” (I Timóteo 2.15). A psicóloga e professora Ilma Cunha desenvolve o tema da mulher no lar em seu livro intitulado “O Lar: Refúgio ou campo de batalha” (Gospel). Ela vê com clareza que a instabilidade dos lares e o número crescente de divórcios têm suas raízes na busca da mulher pelo significado da vida numa carreira fora do lar.
VOCAÇÃO PARA O SERVIÇO
É claro que as mulheres têm papel destacado no Reino de Deus e por, conseguinte, na Igreja, e isso deve ser reconhecido e valorizado. Elas, assim como os homens, recebem dons, ou carismas, e são encorajadas a exercê-los, mas sempre em subordinação à sua cabeça, seja o marido ou o pai. De fato, diante de Deus a mulher não é de maneira alguma inferior, em inteligência ou capacitação, ao homem. Tantpo é assim que inúmeras obreiras do Senhor têm deixado invejável legado. A coragem e a disposição da mulher cristã de sofrer pela causa do Reino são evidentes – inclusive, quando os homens careciam de interesse e compromisso para se arriscar nos lugares remotos, muitas vezes em meio a povos hostis. A história de Sofia Miller, por exemplo, demonstra esta verdade. Mulher frágil fisicamente, de baixa estatura, ela era, contudo, de grande fé e persistência. Sofia alcançou incontáveis indígenas no sul da Colômbia e n Amazônia. O livro da professora Ruth Tucker “Missões: até os confins da Terra (Shedd Publicações) relata um grande número de casos de heroína corajosas, talentosas e úteis na implantação da Igreja de Cristo em remotos cantos da Terra. Foi assim com Amy Carmichael na Índia; Lottie Moon, Rosalina Goforth e Gladyz Aylward na China; Betty Olson, mártir no Vietnã; Mary Slessor, da Missão Calabar (Nigéria); e Helena Roseveare no Congo.
Entre as brasileiras, Analzira Nascimento e Valnice Milhomens foram duas servas de Deus que marcaram a história do Evangelho em Angola. Já Ana Marai Costa fundou a Associação Missionária para a Difusão do Evangelho; Lídia Menezes de Almeida fundou o Instituto Betel Brasileiro, em João Pessoa (PB), com fé e intrepidez – entidade da qual existem filiais em várias cidades do Brasil. E há excelentes professoras de Bíblia como Kay Arthur, Joyce Clayton e Bárbara Burns, entre outras. Em nossos igrejas, todos nós testemunhamos a eficiência e a vocação do gênero feminino para o serviço do Senhor e dos santos. Porém, o ministério pastoral feminino não encontra base bíblica evidente. E as exceções apenas mostram que Deus abençoa, de modo especial, as mulheres que ocupam os campos que os homens se recusam adentrar para tomar a liderança que o Senhor ordenou para eles.
Dr. Russel Shedd é pastor batista, doutor em Teologia, possui pós-doutorado em Novo Testamento. Conferencista e escritor, é missionário da Missão Batista Conservadora no Sul do Brasil e presidente emérito de Edições Vida Nova.


Reações:

2 comentários:

  1. Quando uma instituição decide algo que impacta todos nela e outra instituição, de forma que não há concordância, isso gera conflito.
    No caso da OPBCB, gerou conflito entre os pastores, entres as igrejas e na CBB!
    O resultado disso é divisão.
    Percebo que aqueles que insistem com isso, mesmo não tendo qualquer base Bíblica para firmar suas convicções, não se importam com a denominação batista. Jogam fora toda a nossa história, se é que a conhecem. São quais aquela mulher que fez questão de manter o que dizia sobre o menino, a ponto de não se importar que o menino fosse dividido ao meio, provocando a morte dele.
    Nisso, percebemos que nos falta alguém que apresente qual Salomão uma forma de ajuste.
    Como sei que a única forma para resolver isso é a apresentação de base Bíblica, concluo que aquele que insistem nisso não estão nem aí para o que a Bíblia diz!
    E esse é o maior problema deles. Sei que eles sabem disso, mas preferem fazer alianças com interesses pessoais, pois buscam o próprio proveito e não o do Reino de Deus e da Sua Justiça!
    Deus nos abençoe e use!
    Henri - esposo de Sandra - 30 anos,
    Membro da ABACLASS

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  2. Todas as incertezas, sejam dos membros quanto dos pastores, podem ser dirimidas quando se lê, medita e pratica os Ensinos Bíblicos.
    O grave problema é querer fazer as coisas conforme se acha melhor, menosprezando a Bíblia, a Palavra de Deus.
    Deus nos abençoe e use!
    Henri - esposo de Sandra - 30 anos.
    Membro da ABACLASS

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