sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

IGREJA AUTÔNOMA OU FEUDO ECLESIÁSTICO


Um princípio defendido pelos batistas como um dos pilares deste grupo religioso é a autonomia da igreja local. Dentro deste pensamento entende-se que a igreja local, por maior ou menor que seja, não está submetida ao estado, outra igreja ou qualquer outra instituição. Devendo sempre respeitar as leis do país, quando estas não impuserem a violação da fidelidade a Deus, e por conseguinte as Escrituras Sagradas. Há aqueles que afirmam esta autonomia como soberania da igreja local, o que dá um significado ainda maior ao contexto da igreja local.
O princípio da autonomia está intimamente ligado ao Governo Congregacional da igreja, onde a decisão não pertence a um grupo de clérigos, mas a igreja, orientada pelo Espírito Santo, exerce a Teocracia através da Democracia. Outro grande fator de equilíbrio da autonomia da igreja local é a cooperação com outras igrejas de “mesma fé e ordem”.
O que tem se percebido nos últimos tempos é uma ênfase na soberania (autonomia) da igreja local, para defender o “direito” a algumas posturas que destoam daquilo que é historicamente aceito pelos batistas e pela cristandade.
Percebe-se também que muito do que é feito, sob a alegação da legitimidade da igreja local em ter aquela postura, não é algo desenvolvido pelo espírito do governo congregacional e sim da visão do líder/pastor que, na maioria dos casos, implanta um método gerencial no governo da igreja onde os “iluminados” do conselho decidem pela igreja, deixando assim o governo congregacional pelo episcopal ou monárquico, mesmo que isso nunca seja assumido formalmente. No caso do governo monárquico é ainda mais espantoso, pois a igreja local inicia uma rede de filiais e não as dá o direito a autonomia, autonomia essa que a igreja em questão tanto defende para si.
Certo dia, em uma reunião da sub-seção da OPBB em que sou filiado, um pastor alegou que “nossa autonomia é o nosso trunfo e nosso Calcanhar de Aquires”.
Isso tudo me faz lembrar o período da história onde a organização social se dava através dos Feudos. Nesse período os reinos eram divididos por porções de terra chamados de Feudos, onde o Senhor Feudal era, por princípio legal, submetido ao Monarca, que era o senhor feudal mais poderoso. Os senhores feudais tinham seu poder concedido pelo rei, e tinham seus exércitos particulares e povo (camponeses) sob seu governo e, em muitos casos, opressão.
É uma pena, mas, embora não seja a maioria (oro para que nunca seja), é possível perceber semelhanças entre igrejas e feudos, onde líderes/pastores mantem-se como senhores feudais poderosos e dispõe-se a não submeterem-se a nenhum consenso denominacional, ou aliar-se a projetos comuns para o crescimento do Reino de Deus, pois a visão particular quase sempre não se harmoniza com o que é praticado ou almejado pelo todo. Há uma incredulidade quanto a ação do Espírito Santo na igreja, por isso governam a igreja segundo sua visão particular, suprimindo o Governo Congregacional e fazendo da Assembléia da igreja apenas um órgão homologador de decisões pré-determinadas.
A modernidade já chegou, e já estamos no que alguns chamam de Modernidade Tardia, Modernidade Liquida, pós-modernidade, etc. Não há lugar para feudos neste tempo. Vivamos em crescente harmonia, cooperando uns com os outros na sinalização de que o Reino de Deus está aqui. Desenvolvamos as pessoas, entendendo que não estamos trabalhando para formar um feudo poderoso, mas aliados com outras igrejas locais lutamos pelo Reino de Deus, contra o Império das Trevas.
Cá pra nós...sua congregação é uma igreja local ou um feudo eclesiástico?
Até mais!


Deus te abençoe!
Josimar da Silva Alves - pastor batista
Pastor da 1a Igreja Batista em Parque Hinterland
Belford Roxo / RJ




Reações:

7 comentários:

  1. Pr Adriano Pereira de Oliveira24 de dezembro de 2010 09:59

    Com 36 anos de idade, o nobre colega já está ficando um pastor maduro.

    Fraterno abraço!

    Pr. Adriano Pereira de Oliveira, 67 anos de idade, 38 de pastorado.

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  2. Caro Amigo, vale lembrar também que umas das principais caractéristicas de um feudo era o privilégio de nascimento, em que a burguesia era privilegiada com status e coisas mais, em troca da legitimação que davam ao Sr Feudal...Então veio O Absolutismo que foi um golpe dentro do golpe, uma forma encontrada para manutenção desses privilégios... Vejo em "nossas" igrejas que essas práticas perpetuam e com muito bom gosto você as criticou de forma concisa e inteligente... Me orgulho de Ti e de ser sua ovelha!!!

    Rômulo Faria.

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  3. Não existe nada pior que uma ditadura disfarçada de democracia. Mas isso vale tanto para a Igreja local como para as organizações. Às vezes uma igreja local decide soberanamente adotar uma forma de trabalho, sem o concurso de minorias "iluminadas", porém, se essa forma de trabalho não obedece às "tradições de homens" da denominação, então pixam aquela igreja.

    O irmão deveria lembrar que não estamos neste mundo para fazer a vontade de organização nenhuma mas a de Deus o qual não criou institutições porque Ele não precisa de nossa ajudinha para fazer a Obra do Pai.

    Alguém disse ao irmão que está ficando maduro somente porque escreve de acordo ao seu modo de pensar. Mas se o irmão dissesse qualquer coisa "ousada" certamente o comentário seria todo o contrário. Não me surprenderia que este comentário não aparecesse depois.

    Não se iluda com a suposta democracia batista porque ela na verdade não existe. Uma das piores coisas que temos herdado dos americanos é seu costume de não deixar aos povos escolherem livremente sua forma de se conduzir, para o qual inventam toda sorte de argumentações.

    Talvez o senhor tenha boas intenções, mas ainda é novo para completar o quebra-cabeças todo.

    Saudações em nome dAquele que é o dono da Obra. Jesus, o suficiente.

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  4. Gostei do texto de sua lavra, pela seriedade quanto ao problema de entendimento do que é igreja local e o aviltamento da democracia Batista.
    Um Feliz Natal!
    Pr Gilson Batista - DF

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  5. Mônica de Moraes4 de maio de 2011 04:43

    Gostei do que li, principalmente porque é muito difícil aguém denunciar as práticas incoerentes. O senhor o fez com sabedoria, se quisermos espaço para expor nossa opinião e continuar tendo voz temos que saber nos colocar.
    É claro que nós batistas nos orgulhamos do nosso sistema, apesar de estar muito longe o ideal de democracia(ideal este que em momento algum da história humana se concretizou), e não enxergamos os grandes absurdos que cometemos, mas temos que lembrar que, apesar de instituída por Deus, a Igreja é formada por seres imperfeitos, que precisam estar constantemente clamando pela direção do Espírito Santo para não cometermos enganos.
    Eu acho que este é o caminho: reconhecer nossos erros, clamarmos a Deus e estarmos atentos e dispostos a acertar as coisas que precisam ser mudadas. Entendendo que este deve ser um movimento do Espírito Santo de Deus.
    A paz do Senhor seja com todos!

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  6. vou aplicar para meus alunos

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  7. Pois é. E quem sofre com isso são as ovelhas... sempre...

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