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sábado, 5 de julho de 2014

A AUTOPROMOÇÃO DO MINISTRO EM DETRIMENTO DA PROMOÇÃO DE CRISTO

Um fato que deve ser combatido veementemente e substituído por uma compreensão e consequente prática do senhorio de Cristo em nosso ministério

TEXTOS BÍBLICOS: At 20.24; 2Co 4.9,10; Fp 3.7-10

Por: Oswaldo Luiz Gomes Jacob*

É impressionante o número de pastores que se autopromovem, colocam fotos na entrada do templo, apreciam o elogio e a tietagem. Homens que gostam do pódio, de estarem no auge, bajulados e considerados semideuses. A nossa natureza humana gosta dessas coisas. Essa é a síndrome adâmica. É lamentável o número de obreiros antipáticos, arrogantes, sofisticados, vaidosos e tomados de uma filosofia de autopromoção que me causa aversão.
A história da cristandade não foi construída pelos que se arrogam alguma coisa, mas por homens e mulheres de Deus que a si mesmos se humilharam diante da Majestade, Sublimidade, Grandeza e Soberania de Deus. Toda vez que faço uma leitura da vida de Jesus, vejo-o como uma pessoa totalmente despida de si mesma. Os profetas do AT, homens de Deus, eram muito conscientes de suas próprias fraquezas. Destacamos Moisés, Elias, Eliseu, Jeremias, Isaías, Zacarias, Daniel e Ezequiel. Já no limiar entre o AT e o NT, vemos João Batista. Todos foram homens intrépidos e ousados, mas humildes em sua expressão e no exercício dos seus respectivos ministérios, porque sabiam quem era o que os havia chamado. Isso faz toda a diferença! A concepção que faço de mim mesmo sempre dependerá da minha convicção de quem é Deus. A Pessoa de Deus determina a minha pessoa. A visão de Deus é o que define a minha visão.

Olhando para a realidade do NT pós-Jesus, destacamos a vida de Pedro em suas fases difíceis: Evangelhos (adolescente), Atos (jovem) e Cartas (adulto). Depois, temos Paulo, o apóstolo abortivo. Nos três textos lidos, percebemos a consciência amadurecida que ele possuía do Senhor, de si mesmo e do povo a quem servia. No encontro com os presbíteros de Éfeso, o velho apóstolo se despede a caminho de Roma. A sua despedida foi impressionante e um lenitivo para aqueles pastores. Ele declarou peremptoriamente que a sua vida não era mais importante do que a sua missão. Arrogar-se não fazia parte do seu vocabulário cristão. Ele recebeu a missão do Senhor Jesus e estava disposto a morrer por ela. Paulo era uma espécie de homem de Deus visceralmente comprometido com a missão de proclamar o Cristo crucificado e ressurreto (1Co 2.1,2).

No texto aos coríntios (2Co 4.9,10), o missionário Paulo declara: trago no meu corpo o morrer de Jesus para que a sua vida se manifeste em minha carne mortal. Para ele, o viver era Cristo e o morrer, lucro (Fp 1.21). A vida de Cristo era muito mais importante do que a sua própria vida. Ele estava absolutamente absorto pela vida de Cristo (Gl 2.20). Havia uma simbiose muito forte entre Paulo e Jesus. Paulo não estava preocupado com fama, pódio, tietagem, propaganda, autopromoção. Não estava acometido pela síndrome do pequeno reino. Era um homem desprovido de si mesmo, para viver a vida de Cristo: Não mais eu, MAS CRISTO. Não mais o que penso... não mais o que sinto... não mais o que quero... não mais as minhas opiniões... não mais os meus desejos... não mais os meus sonhos... não mais os meus mimos...

Aos filipenses, ele foi fantástico. Ele, que havia sido Saulo, que gostava de poder, pódio, reconhecimento, fama, confetes, agora, é Paulo, que considera tudo isso como esterco para poder ganhar a Cristo (Fp 3.7-10). Cristo era a razão de todas as coisas; a medida de tudo o mais; o referencial absoluto. Paulo não possuía mais uma justiça religiosa, legalista, mas a justiça de Cristo Jesus. Não mais a justiça da lei, mas a justiça da fé (Hc 2.4; Rm 1.17). Não mais a justiça com base em desempenho pessoal, mas com base na suficiência de Cristo na cruz e na ressurreição. Não mais mérito pessoal, mas o de Cristo Jesus. Não mais sentimentalismo, mas uma vida pela fé.

Aprecio muito o que Aiden Wilson Tozer (um dos meus autores preferidos) declara num preciosíssimo texto intitulado “A BÊNÇÃO DE NÃO POSSUIR NADA”, comentando o texto de Jesus: Bem aventurados os humildes de espírito porque deles é o reino dos céus (Mt 5.3):

“Nossos ‘ais’ tiveram começo quando o homem forçou Deus a sair de seu santuário central, e deu permissão às ‘coisas’ de ali penetrar. Uma vez dentro do coração humano, as ‘coisas’ passaram a imperar. O homem, por natureza, não mais goza de paz em seu coração, pois Deus não se acha mais entronizado ali: pelo contrário, na obscuridade moral da alma humana, usurpadores teimosos e agressivos lutam entre si, procurando ocupar esse trono.
Dentro do homem há um coração empedernido cuja natureza e intento é sempre possuir, possuir (coisas, fama, trono, pódio, admiração, glória pessoal). O Senhor Jesus referiu-se a essa tirania das COISAS quando disse aos Seus discípulos (Mt 16.24,25: Se alguém quiser...).
Não há duvida de que esse apego possessivo às coisas é um dos hábitos mais daninhos da vida. Por ser ele tão natural e generalizado, raramente é reconhecido como um mal, todavia, seus efeitos são realmente trágicos.
Se queremos de fato conhecer a Deus em crescente intimidade, precisamos palmilhar o caminho da renúncia”. (Tozer, 1985: 20-27).
Copiei, na capa da minha Bíblia, a seguinte oração feita por um cristão da Idade Média:

“Ó Jesus, manso e humilde de coração, ouve-me.
Livra-me, Jesus, do desejo de ser estimado,
Do desejo de ser amado,
Do desejo de ser exaltado,
Do desejo de ser honrado,
Do desejo de ser louvado,
Do desejo de ser preferido a outros,
Do desejo de ser consultado,
Do desejo de ser aprovado,
Do medo de ser humilhado,
Do medo de ser desprezado,
Do medo de ser repreendido,
Do medo de ser esquecido,
Do medo de ser ridicularizado,
Do medo de ser prejudicado,
Do medo de ser alvo de suspeitas.
E, Jesus, concede-me a graça de desejar que outros possam ser mais amados que eu, que outros possam ser mais estimados que eu, que na opinião do mundo, outros possam crescer e eu diminuir; que outros possam ser escolhidos e eu posto à parte; que outros possam ser louvados e eu passe despercebido; que outros possam ser preferidos em tudo, que outros possam tornar-se mais santos do que eu, contanto que eu me torne tão santo quanto devo ser”.
Concluo, citando a oração de Tozer:

“Pai, desejo conhecer-te, mas meu coração covarde teme desistir de seus brinquedos. Não posso desfazer-me deles sem sangrar por dentro, e não procuro esconder de ti o terror da separação. Venho tremendo, mas venho. Por favor, extirpa do meu coração todas aquelas coisas que estou amando há tanto tempo, e que se têm tornado parte integrante deste ‘viver para mim mesmo’, a fim de que tu possas entrar e habitar ali sem qualquer rival. Então tornará glorioso o estrado dos teus pés. Meu coração não terá mais necessidade da luz do sol, porquanto tu mesmo serás o sol iluminador, e ali não haverá mais noite. Em nome de Jesus. Amém.”

*Oswaldo Luiz Gomes Jacob
é pastor titular na Segunda Igreja Batista em Barra Mansa, RJ.
Email: pitzerjacob@gmail.com
Artigo publicado na Revista Palavra & Vida
(Revista de Estudo Bíblico Trimestral da Convenção Batista Fluminense),
na seção Apoio Pastoral.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

MINISTÉRIO PASTORAL FEMININO

Por Russel Shedd
Ordenar mulheres como pastoras cria, no coração de muitos cristãos, uma reação negativa. A controvérsia sobre a vontade de Deus ser favorável à elevação de mulheres para exercer o pastorado sobre uma igreja local, que é antiga, tornou-se mais acirrada ultimamente, por causa da decisão da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil (OPBB) de receber pastoras como membros. A maioria apoiou a liberdade das distintas seções da entidade de aceitar ou não, no seu rol de membros, mulheres ordenadas. Como existem mulheres batistas ordenadas por algumas igrejas, parecia natural que fossem incluídas no rol de membros da OPBB, juntamente com seus companheiros de púlpito do sexo masculino. A polêmica que se levantou entre os pastores nos dois lados da questão, infelizmente, nem sempre foi discutida de modo amável e respeitoso. Ficou claro, desde logo, que a decisão tomada pela OPBB dividiu os representantes da denominação.
Independente de se tomar ou não partido, é preciso lançar um pouco de luz sobre o ministério feminino, segundo a cultura e a Bíblia Sagrada. A influência da sociedade e da cultura sobre a Igreja de Jesus Cristo tem sido notável e constante desde o primeiro século, e o Cristianismo tem lutado, desde então, para manter sua essência. Ora, a identidade da Igreja não pode ser mantida apenas repetindo-se as práticas e tradições dos nossos antepassados. No caso específico do ministério feminino, a cultura brasileira segue a passos largos as mudanças do mundo ocidental, de maneira que a ordenação de mulheres ao pastorado parece tão natural como foi a eleição de uma mulher para a Presidência do país. Hoje, o gênero feminino de destaca em todas as áreas – mulheres sobressaem na vida acadêmica, seguem carreiras de sucesso, destacam-se nas funções públicas, fundam e administram empresas. Enfim, elas são tão inteligentes como os homens. Por isso, várias denominações aceitam a ordenação feminina e colocam mulheres em pé de igualdade com os irmãos pastores.
Mas, vamos às Escritura. A criação do ser humano revela o plano de Deus de formar o homem à sua imagem. A criação da mulher, a partir da carne e do osso do homem para ser auxiliadora do marido, fica clara no texto bíblico, em Gênesis 2.21-24. Todavia, o plano do Senhor na criação do gênero feminino a partir do homem, para que ambos vivessem na mais perfeita harmonia e se multiplicassem para encher a terra, foi contrariado com a queda. Assim o apóstolo Paulo trata da questão, conforme registrado em I Timóteo 2.11-15: “A mulher deve aprender em silêncio, com toda a sujeição. Não permito que a mulher ensine, nem que tenha autoridade sobre o homem (...) Porque primeiro foi formado Adão, e depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a ,mulher que, tendo sido enganada, tornou-se transgressora”. Ora, Adão estava plenamente consciente da desobediência que cometia. Por isso, ele, e não Eva, é culpado pelo pecado original que tem infectado tosos os seus descendentes até hoje.
Porém, Jesus cumpre o papel de segundo Adão, redimindo a criação. “Assim como uma só transgressão resultou na condenação de todos os homens, assim também um só ato de justiça resultou na justificação que traz vida a todos os homens” (Romanos 5.18). Neste ato, mais uma vez fica claro a posição masculina: Jesus, o eterno Filho, se encarnou em corpo de homem, e não de mulher, para confirmar o ensino, presente em toda a Bíblia, de que a responsabilidade final é do homem.
GOVERNO MASCULINO
Este tem sido o entendimento ao longo dos séculos. Desde o início, a cristandade sempre manteve a responsabilidade e liderança do homem como princípio fundamental. A identidade da Igreja se baseia na concepção de o povo de Deus ser edificado sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo Jesus Cristo como pedra angular, conforme o mesmo Paulo escreve aos efésios. Se Jesus tivesse escolhido uma “apóstola” para estabelecer e manter a estrutura da Igreja que ele edificava, não haveria qualquer controvérsia. Da mesma forma, se uma mulher tivesse sido escolhida para escrever um ou mais livros da Bíblia, toda a polêmica nas igrejas em torno da liderança feminina simplesmente não existiria. Mas não foi isso que aconteceu.
Ao escrever sua carta a Timóteo sobre a liderança da igreja, Paulo diz: “Se alguém deseja ser bispo (isto é, supervisor), é necessário que ele seja irrepreensível, marido de uma só mulher. Deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda a dignidade. Pois se alguém não sabe governar sua própria família, como pode cuidar da igreja de Deus?” (I Timóteo 3.1-5). Segundo a Bíblia, o governo da casa cabe ao pai. O papel da esposa e mãe é ensinar os filhos a se submeter à liderança do pai “no Senhor”. Em outras passagens do Novo Testamento, temos referências a presbíteros. Paulo também escreveu a Timóteo dizendo que estes oficiais, quando lideram bem a igreja, são dignos de dupla honra, especialmente aqueles cujo trabalho é a pregação e o ensino.
Por outro lado, não há qualquer sugestão, no Novo Testamento, de que mulheres ocuparam posição de liderança nos tempos bíblicos. “Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas” recomenda o texto de Hebreus 13.17. Paulo desenvolve seu entendimento sob5e a sujeição da mulher e a liderança do homem no lar e na igreja na hierarquia da Trindade. “Quero, porém, que entendam que a cabeça do todo homem é Cristo, e o cabeça da mulher é o homem, e o cabeça de Cristo é Deus” (I Coríntios 11.3). Ainda que alguns estudiosos tentem convencer aos sues leitores de que a palavra “cabeça”, neste texto, deve ser entendido como “fonte” ou “origem”, tal argumento não subsiste a uma análise mais criteriosa. Se a conotação de “cabeça” fosse essa, seria possível declarar que a origem de Cristo é Deus – contudo, João declara, em seu evangelho, que o Logos (o Verbo) estava no princípio com Deus e que, de fato, era Deus.
A subordinação da mulher casada encontra seu mais importante papel na administração do lar, e não competindo com o homem desenvolvendo sua carreira no mundo, de acordo com Paulo. “A mulher será salva dando à luz filhos – se elas permanecerem na fé, no amor e na santidade, com bom senso” (I Timóteo 2.15). A psicóloga e professora Ilma Cunha desenvolve o tema da mulher no lar em seu livro intitulado “O Lar: Refúgio ou campo de batalha” (Gospel). Ela vê com clareza que a instabilidade dos lares e o número crescente de divórcios têm suas raízes na busca da mulher pelo significado da vida numa carreira fora do lar.
VOCAÇÃO PARA O SERVIÇO
É claro que as mulheres têm papel destacado no Reino de Deus e por, conseguinte, na Igreja, e isso deve ser reconhecido e valorizado. Elas, assim como os homens, recebem dons, ou carismas, e são encorajadas a exercê-los, mas sempre em subordinação à sua cabeça, seja o marido ou o pai. De fato, diante de Deus a mulher não é de maneira alguma inferior, em inteligência ou capacitação, ao homem. Tantpo é assim que inúmeras obreiras do Senhor têm deixado invejável legado. A coragem e a disposição da mulher cristã de sofrer pela causa do Reino são evidentes – inclusive, quando os homens careciam de interesse e compromisso para se arriscar nos lugares remotos, muitas vezes em meio a povos hostis. A história de Sofia Miller, por exemplo, demonstra esta verdade. Mulher frágil fisicamente, de baixa estatura, ela era, contudo, de grande fé e persistência. Sofia alcançou incontáveis indígenas no sul da Colômbia e n Amazônia. O livro da professora Ruth Tucker “Missões: até os confins da Terra (Shedd Publicações) relata um grande número de casos de heroína corajosas, talentosas e úteis na implantação da Igreja de Cristo em remotos cantos da Terra. Foi assim com Amy Carmichael na Índia; Lottie Moon, Rosalina Goforth e Gladyz Aylward na China; Betty Olson, mártir no Vietnã; Mary Slessor, da Missão Calabar (Nigéria); e Helena Roseveare no Congo.
Entre as brasileiras, Analzira Nascimento e Valnice Milhomens foram duas servas de Deus que marcaram a história do Evangelho em Angola. Já Ana Marai Costa fundou a Associação Missionária para a Difusão do Evangelho; Lídia Menezes de Almeida fundou o Instituto Betel Brasileiro, em João Pessoa (PB), com fé e intrepidez – entidade da qual existem filiais em várias cidades do Brasil. E há excelentes professoras de Bíblia como Kay Arthur, Joyce Clayton e Bárbara Burns, entre outras. Em nossos igrejas, todos nós testemunhamos a eficiência e a vocação do gênero feminino para o serviço do Senhor e dos santos. Porém, o ministério pastoral feminino não encontra base bíblica evidente. E as exceções apenas mostram que Deus abençoa, de modo especial, as mulheres que ocupam os campos que os homens se recusam adentrar para tomar a liderança que o Senhor ordenou para eles.
Dr. Russel Shedd é pastor batista, doutor em Teologia, possui pós-doutorado em Novo Testamento. Conferencista e escritor, é missionário da Missão Batista Conservadora no Sul do Brasil e presidente emérito de Edições Vida Nova.


domingo, 21 de julho de 2013

APASCENTANDO OVELHAS OU ENTRETENDO BODES?

Por Charles Haddon Spurgeon*

Um mal está no declarado campo do Senhor, tão grosseiro em seu descaramento, que até o mais míope dificilmente deixaria de notá-lo durante os últimos anos. Ele se tem desenvolvido em um ritmo anormal, mesmo para o mal. Ele tem agido como fermento até que toda a massa levede. O demônio raramente fez algo tão engenhoso quanto sugerir à Igreja que parte de sua missão é prover entretenimento para as pessoas, com vistas a ganhá-las.
Da pregação em alta voz, como faziam os Puritanos, a Igreja gradualmente baixou o tom de seu testemunho, e então tolerou e desculpou as frivolidades da época. Em seguida ela as tolerou dentro de suas fronteiras. Agora as adotou sob o argumento de atingir as massas.
Meu primeiro argumento é que prover entretenimento para as pessoas não está dito em parte nenhuma das Escrituras como sendo uma função da Igreja. Se este é um trabalho Cristão, porque Cristo não falou dele? "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura." (Marcos 16:15). Isto está suficientemente claro. Assim teria sido se Ele tivesse adicionado "e proporcionem divertimento para aqueles que não tem prazer no evangelho." Nenhuma destas palavras, contudo, são encontradas. Não parecem ter-lhe ocorrido.
Então novamente, "E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores... para a obra do ministério" (Efésios 4:11-12). Onde entram os animadores? O Espírito Santo silencia no que diz respeito a eles. Foram os profetas perseguidos porque divertiram o povo ou porque o rejeitaram? Em concerto musical não há lista de mártires.
Além disto, prover divertimento está em direto antagonismo com o ensino e a vida de Cristo e de todos os seus apóstolos. Qual foi a atitude da Igreja quanto ao mundo? "Vós sois o sal" (Mateus 5:13), não o doce açucarado - algo que o mundo irá cuspir e não engolir. Curta e severa foi a expressão: "deixa os mortos sepultar os seus mortos." (Mateus 8:22) Ele foi de uma tremenda seriedade.
Se Cristo introduzisse mais brilho e elementos agradáveis em Sua missão, ele teria sido mais popular quando O abandonaram por causa da natureza inquiridora de Seus ensinos. Eu não O ouvi dizer: "Corra atrás destas pessoas, Pedro, e diga-lhes que nós teremos um estilo diferente de culto amanhã, um pouco mais curto e atraente, com pouca pregação. Nós teremos uma noite agradável para as pessoas. Diga-lhes que certamente se agradarão. Seja rápido Pedro, nós devemos ganhar estas pessoas de qualquer forma." Jesus se compadeceu dos pecadores, suspirou e chorou por eles, mas nunca procurou entretê-los.
Em vão serão examinadas as Epístolas para se encontrar qualquer traço deste evangelho de entretenimento! A mensagem delas é: "Saia, afaste-se, mantenha-se afastado!" É patente a ausência de qualquer coisa que se aproxime de uma brincadeira. Eles tinham ilimitada confiança no evangelho e não empregavam outra arma.
Após Pedro e João terem sido presos por pregar o evangelho, a Igreja teve uma reunião de oração, mas eles não oraram: "Senhor conceda aos teus servos que através de um uso inteligente e perspicaz de inocente recreação possamos mostrar a estas pessoas quão felizes nós somos." Se não cessaram de pregar a Cristo, não tiveram tempo para arranjar entretenimentos. Dispersos pela perseguição, foram por todos lugares pregando o evangelho. Eles colocaram o mundo de cabeça para baixo (Atos 17:6). Esta é a única diferença! Senhor, limpe a Igreja de toda podridão e refugo que o diabo lhe tem imposto, e traga-nos de volta aos métodos apostólicos.
Finalmente, a missão de entretenimento falha em realizar os fins desejados. Ela produz destruição entre os novos convertidos. Permita que os negligentes e escarnecedores, que agradecem a Deus pela Igreja os terem encontrado no meio do caminho, falem e testifiquem. Permita que os oprimidos que encontraram paz através de um concerto musical não silenciem! Permita que o bêbado para quem o entretenimento dramático foi um elo no processo de conversão, se levante! Ninguém irá responder. A missão de entretenimento não produz convertidos. A necessidade imediata para o ministério dos dias de hoje é crer na sabedoria combinada à verdadeira espiritualidade, uma brotando da outra como os frutos da raiz. A necessidade é de doutrina bíblica, de tal forma entendida e sentida, que coloque os homens em fogo.

Tradução: Walter Andrade Campelo

*Charles Haddon Spurgeon, comumente referido como C. H. Spurgeon, foi um pregador batista reformado britânico.
Converteu-se ao cristianismo em 6 de janeiro de 1850, aos quinze anos de idade. Aos dezesseis, pregou seu primeiro sermão; no ano seguinte tornou-se pastor de uma igreja batista em Waterbeach, Condado de Cambridgeshire (Inglaterra). Em 1854, Spurgeon, então com vinte anos, foi chamado para ser pastor na capela de New Park Street, Londres, que mais tarde viria a chamar-se Tabernáculo Metropolitano, transferindo-se para novo prédio.


quinta-feira, 25 de abril de 2013

CATEDRAL DE CRISTAL - SINAL DOS TEMPO?

Por Paulo Cezar Membro da Igreja Memorial Batista de Brasília

(Os dados a seguir foram pinçados em sites na Internet. Se algum deles não corresponde à realidade isso não se reveste de maior importância, eis que o fato básico realmente aconteceu).

Em 1955, no Condado de Orange, Califórnia, o pastor evangélico Robert H. Schuller construiu o mega templo e implantou o Ministério Catedral. A catedral chegou a ser considerada, na década de 80, a igreja cristã mais famosa dos Estados Unidos. Nos anos , calcula-se que seis milhões de pessoas assistiam seu programa de TV transmitido para o país e exterior. A igreja chegou a ter milhares de membros locais e também em outros países. Casal de missionários frequentadores de minha igreja na década de 80 dizia-se membro daquela igreja. 

Em novembro de 2011, por decisão judicial do Tribunal de Bancarrota, a catedral, endividada e falida, foi vendida à Diocese Católica de Orange pela quantia de 57,5 milhões de dólares. No dia 13 de março de 2012 o Ministério Catedral confirmou a venda e anunciou que continuará a realizar os cultos dominicais regularmente e a transmitir os programas de TV, até que se esgote o prazo de três anos que a compradora concedeu para que a denominação evangélica desocupe o local (!) A igreja católica é agora dona de um dos mais importantes templos construídos por uma igreja evangélica dos EUA. Não entendo como será possível continuar a igreja evangélica funcionando no local ou em qualquer outro lugar, depois de claramente abjurar de sua fé e de suas convicções (?) doutrinárias! O púlpito perdeu a autenticidade e autoridade. A permanência no local é uma zombaria, um escárnio. Decisão absurda! Pregar o que? Absolutamente incompreensível. 

A perda de quase 70% das receitas levou à crise financeira e à divulgação do escândalo das folhas de pagamento. Com isso, boa parte dos fiéis abandonaram (sic) a congregação, provocando ainda maior queda na arrecadação, que passou de US$ 7,3 milhões para US$ 2,3 milhões. (The Christian Post>Cristianismo, 14 de mar. 2012 10:47 AM EST). 

Pastores auxiliares, inclusive a filha mais velha do pastor Schuller, passaram a fundar denominações próprias, incentivando ainda mais a saída de fiéis. O professor do Cal State Fullerton, Hubbard, declarou que o império Schuller envolveu não só o ministério, mas também casas suntuosas, limusines e a fama mundial do fundador. A família Schuller teria renunciado a suas funções e entrado com um processo de indenização contra a igreja no valor de US$ 5,5 milhões, valor esse referente a direitos trabalhistas, propriedade intelectual e infrações de direitos autorais.(Os dados acima foram extraídos de The Christian Post>Cristianismo, 14 de mar. 2012 10:47 AM ESW). 

Magníficas catedrais europeias se transformam em simples museus da religião. Perguntado como é possível terminar em bancarrota e vergonha projeto de tanto êxito, pastor, que pertenceu ao quadro ministerial da catedral, respondeu que se deve evitar, entre outras atitudes “construir templos com o ego e não com a cabeça; rodear-se de bajuladores e praticar o nepotismo; não investir nos jovens e crer que as estratégias são eternas”. 

Pensando muito no triste e, penso eu, inusitado episódio, ouso destacar: 

1- É impressionante a liberdade de expressão e de opinião praticada naquele grande país. 

2 - O Senhor não se importa muito com obras humanas grandiloquentes. O magnífico templo de Salomão foi reduzido a pó quando o povo se afastou de Deus. 

3- Quando a vaidade pessoal ou de grupos se sobrepõe à imprescindível humildade vivida, praticada, ensinada por Cristo; quando o ego passa a ser sorrateiramente entronizado no lugar daquele que deve ser o único objeto de adoração e serviço; quando templos construídos para o louvor do ÚNICO que merece ser louvado vão perdendo seu real e mais profundo objetivo; quando o cristianismo, absolutamente cristocêntrico, vai sendo substituído pelo antropocentrismo - então já nem teria maior importância o fato de templo erigido por igreja evangélica passar à propriedade de credo absolutamente antagônico que vai entronizar, no magnífico local, Maria no lugar de Cristo e substituir, ao abrigo da colossal estrutura em cristal transparente, o único culto de louvor e adoração aceitável por Deus - aquele feito em espírito e em verdade - por preces e serviço religioso dedicados a imagens de homens e mulheres, em usurpação do lugar que somente ao Senhor é devido. 

A transparência dos cristais vai tornar visível, a todos quantos passarem por Orange, a esdrúxula e quase inacreditável mudança: templo, antes dedicado ao Deus único e verdadeiro, agora, em pleno século XXI, destruído, não em sua estrutura física como fez a sanha babilônica com o templo de Salomão, mas na própria essência de sua destinação, pelo descaso em relação a seu objetivo primordial e pela mudança de 180 graus em sua utilização. 

 4- Sob o ponto de vista dos evangélicos coerentes, a portentosa Catedral de Cristalnão mais tem razão de existir. Se permanecer, ficará como demonstração cabal, inequívoca, da incúria, irresponsabilidade, inconstância e falta de compromisso do ser humano com aquele que chama de Senhor. 

5- Para o Senhor e pelo Senhor, creio eu não mais existir. 

6- Sinal do tempos?

Fonte: O Jornal Batista

terça-feira, 13 de novembro de 2012

CONDENAÇÃO DO MENSALÃO - ENTRE A ALEGRIA E A TRISTEZA

Por Mauro Stélio Massacessi Sanches


Confesso que hoje amanheci com meus sentimentos confusos, experimentando um misto de alegria e tristeza. Alegria por saber da condenação de José Dirceu e seus companheiros de Mensalão. Alegria por ver que ainda existem homens dispostos a combater o mal, colocando em risco seu nome, sua reputação, mas convicto de estarem fazendo a coisa certa, como o Sr. Juiz do Supremo Joaquim Barbosa. Alguns já o esperam, inclusive, como candidato a Presidente, eu não, prefiro vê-lo onde está, fazendo o que sabe fazer de melhor: julgar. Claro que junto dele estão outros que, com a mesma compreensão, fizeram o seu papel de guardiões da Lei e dos direitos do povo brasileiro, digamos que ele, neste momento, os representa.


Mas, por outro lado, me sinto triste pela condenação de Dirceu, por algo que não devia sequer ter começado. Um homem que lutou pela democracia, agora sucumbe por ela, porque debochou e abusou dela, tentou ser superior a ela violentando-a diante dos nossos olhos. Junto dele estão aqueles que acreditaram nesse deboche e agora sucumbem também. Não precisava isso, a governança pode e precisa caminhar sem esses artifícios esdrúxulos. Lembro-me da canção de João Alexandre “Pra cima Brasil”, quando diz: “Homens com tanto poder e nenhum coração”.

Mais que alegria me sobra tristeza por pensar nos familiares, nos amigos, gente que sofrerá os respingos desta condenação. A vergonha que terão de experimentar, o vexame ao olhar nos olhos dos outros ou por aquilo que ouvirão sem que nada tivessem a ver com tudo isso, a não ser o fato de ser esposa, filho, amigo, e estarem perto de quem se deixa manchar, que não teve a força de vencer a tentação do deslumbre de se sentir no poder.  

Quando me sinto assim, na dúvida sobre o que sentir, caminho pela Escritura que me recomenda orar por todos (bons e maus aos meus olhos), por aqueles que exercem o poder (autoridade constituída) sobre nós. Passarei o dia orando por esses homens que não conheço pessoalmente, mas posso sentir por eles e por a sua família a vergonha de ter nomes e rostos divulgados como ladrões. Imagino, isto é horrível!

Você, leitor, não precisa me acompanhar nesta oração se não quiser. Não precisa curtir. Ainda assim, oro para que em tudo isso o Brasil melhore, nossos governantes melhorem, a verdade prevaleça e nós, cristãos, mantenhamos o compromisso de interceder e viver a verdade do evangelho. Tema de Missões Nacionais: “Em um Brasil de trevas, seja luz!”.


*Mauro Stélio Massacessi Sanches é Pastor da Igreja Batista em Parque Alian - São João de Meriti-RJ


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A VERDADE SOBRE A PATERNIDADE HOMOSSEXUAL


O sociólogo Mark Regnerus, bastante criticado, fala sobre seus mais recentes estudos sobre famílias com casais homossexuais.

Se quiser saber como foram os últimos meses do sociólogo da Universidade do Texas, Mark Regnerus basta ler a última edição da revista conservadora Weekly Standard. Na capa da edição de julho da revista há dois capangas encapuzados girando maliciosamente uma roda de tortura medieval onde Regnerus está preso, suando em bicas tentando se manter inteiro. O verso da página – “A vingança dos sociólogos: os perigos das pesquisas acadêmicas politicamente incorretas” – sugere a situação provocada pela publicação da mais nova pesquisa de Mark Regnerus, assim como um discurso político mais amplo a respeito do casamento homossexual.

O relatório, conhecido como New Family Structure Studies (NFSS) (“Estudos sobre a Nova Estrutura Familiar”) é notável em seu escopo. Trata-se de uma amostra nacional aleatória considerada o “padrão de ouro” das pesquisas de ciências sociais. O NFSS mede os efeitos econômicos, políticos e psicológicos em jovens adultos, de 18 a 39 anos, que cresceram em famílias onde ou o pai ou a mãe se envolveram em relações homossexuais. Apesar da cautela demonstrada por Regnerus ao afirmar repetidas vezes que o NFSS não leva em conta casamentos estáveis do mesmo sexo (já que casamentos do mesmo sexo não existiam quando esses entrevistados eram crianças), ele tem sofrido censura profissional. O Social Science Research está realizando uma auditoria interna sobre o processo de revisão do NFSS, e a Universidade do Texas, em Austin, está investigando as alegações feitas por Regnerus de “má conduta científica”.

Regnerus aceitou conceder uma entrevista por e-mail a Christianity Today para esclarecer os fatos a respeito da NFSS e seus dissabores.

Outros estudos foram feitos a respeito do bem-estar de crianças criadas por casais do mesmo sexo com a conclusão de alguns sociólogos, de que não há diferença entre estas e aquelas criadas por casais heterossexuais. Por que foi necessária a presença do NFSS dessa vez?

A maioria dos estudiosos da família havia, até recentemente, afirmado de maneira consistente a elevada estabilidade e as vantagens (para as crianças) de um ambiente familiar constituído por pais biológicos casados e heterossexuais, em contraste com todos os outros “modelos” de família. Outros tipos de arranjos familiares não atingiram níveis desejados de desenvolvimento, como a realização educacional, e apresentaram problemas de comportamento e bem-estar emocional.

Para os filhos de lésbicas e gays americanos, no entanto, os cientistas sociais parecem ter mudado de opinião radicalmente. Desde 2001, e em maior escala atualmente, estudiosos têm declarado cada vez mais que “não há diferença” entre pais heterossexuais ou homossexuais, e alguns inclusive sugerem que pais do mesmo sexo podem ser até mais competentes do que um homem e uma mulher em um arranjo familiar tradicional. Dez anos é muito pouco tempo para derrubar um paradigma tão estável, e, francamente, alguns de nós consideramos isso um tanto suspeito, e, portanto, decidimos pesquisar a respeito nós mesmos.

Acredito que o único componente sensível ao tempo nesse estudo, é o fato de que era o momento de avaliar o que se tornou uma drástica mudança de consenso sobre o assunto.

Como a metodologia utilizada em sua pesquisa se compara com aquelas usadas em pesquisas anteriores sobre este tema?

Esta é a principal área de distinção entre meu estudo e os outros. Quase todos os estudos feitos antes desse eram pequenos e “não-aleatórios”. Isto é, não temos a menor ideia do quão semelhantes à maioria dos participantes dos outros estudos são à população que eles procuram estudar. E em relação a vários estudos anteriores, acredito que haja motivos para o ceticismo. Por exemplo, se você sabe que está participando de um pequeno estudo sobre paternidade gay, e que isso será notícia e que talvez tenha ramificações políticas, acredito que seja justificável o questionamento de estudiosos sobre a validade dos dados.

O NFSS, por outro lado, é muito maior do que a maioria dos outros, e trata-se de uma amostra aleatória da população americana entre as idades de 18-39 anos. Não me concentrei na orientação sexual dos pais – afinal de contas, era uma época bastante diferente – mas no comportamento deles nos relacionamentos. Comparei então, como jovens adultos cujos pais ou mães se envolveram em relacionamentos homossexuais se saíram quando comparados a outros tipos de arranjo matrimonial, inclusive a relação tradicional e biologicamente intacta entre um pai e uma mãe.

Explique brevemente como você identificou “mães lésbicas” e “pais gays” no estudo. Não se tratam de casais estáveis do mesmo sexo, que decidiram adotar ou fazer fertilização in vitro, certo?

Os dados permitiram que surgissem casais gays e lésbicos estáveis, mas pelo menos na época em que estou avaliando, isso não era comum. Da mesma maneira, a barriga de aluguel e a tecnologia de reprodução assistida também não eram. São artifícios bastante caros, ainda hoje. Outro trabalho realizado a respeito deste assunto observa que “a literatura sobre casais do mesmo sexo tende a apresentar estudos sobre o tipo de mulheres que podem pagar por tecnologia de reprodução assistida: mulheres brancas, de classe média alta”. Mas esse é o estereótipo criado pela mídia sobre pais e mães gays, embora os dados do Estudo Nacional do Crescimento Familiar tenham revelado que estes tem menos propensão de desejar filhos do que pais e mães gays que não sejam brancos. Então, os tipos de casais aos quais você está se referindo, podem estar presentes nos dados, apesar de eu não ter perguntado aos entrevistados a respeito das circunstâncias de seus próprios nascimentos. A partir de outras perguntas – como se suas mães e pais biológicos já foram casados alguma vez -- eu posso arriscar um palpite sobre suas origens. A maior parte de tais entrevistados eram produtos de uma união heterossexual que eventualmente se desintegrou. Alguns entrevistados sugerem que tais uniões se tratavam de “casamentos de orientação mista”, mas eu não presumiria algo assim com tanta pressa. Embora a etiologia da homossexualidade não esteja em jogo aqui, perguntas sobre as categorizações feitas por mim parecem levantar a questão a respeito de que pessoas podem ser consideradas gays, sem falar de bissexualidade. O estudo, no entanto, diz respeito ao que seu próprio título afirma: os filhos adultos de pais que tem ou tiveram relações homossexuais. Em retrospecto, gostaria de ter me assegurado melhor da compreensão de meus leitores a respeito disso.

O que você diria a grupos religiosos e políticos que promovem o casamento tradicional e desejam usar os resultados do NFSS para “provar” que a paternidade por casais do mesmo sexo é prejudicial às crianças?

Não sou nem teólogo e nem político, então não me atreveria a dizer a ninguém como fazer seu trabalho. Apesar das ciências sociais não serem capazes de “provar” as coisas, elas podem descrever a realidade social. O que o NFSS descreve é que os jovens adultos, filhos de homens e mulheres homossexuais parecem ter sido mais propensos a problemas durante o crescimento, e, em alguns casos ainda hoje, do que aqueles cujos pais biológicos continuam casados. O porquê disso é uma questão importante, que deve continuar sendo explorada e discutida.

Que tipos de problemas esses jovens adultos de pais homossexuais enfrentam exatamente? Emocionais, financeiros, espirituais?

Eles relatam uma série de desafios, principalmente no caso de terem vivido em ambientes familiares de muita instabilidade. Muitos tiveram a experiência de conviver com as idas e vindas dos parceiros de seus pais ou mães. Entre outras coisas, eles se mostraram mais aptos a enfrentar dificuldades financeiras, problemas para arranjar emprego e terminar os estudos, assim como mais problemas com a lei. Também relataram um número mais elevado de parceiros sexuais e vitimização do que as crianças vindas de casamentos biologicamente intactos e estáveis. Questões de religião e espiritualidade não foram incluídas no estudo.

Quais são suas convicções pessoais a respeito das estruturas matrimoniais? Essas convicções tornam sua pesquisa tendenciosa, como as recentes críticas direcionadas a você sugerem?

Todo pesquisador tem opiniões próprias. É por esse motivo que bons projetos de pesquisa devem assegurar o anonimato dos participantes e não sugerir o que estes devem responder. Tal postura ajuda a permitir que as ciências sociais superem as tendências pessoais de cada pesquisador.

Você observa que todo pesquisador tem suas próprias convicções. De que maneira tais convicções contribuíram para informar a auditoria interna de sua pesquisa, que está sendo conduzida atualmente pelo Social Science Research, especificamente pelo sociólogo Darren Sherkat? Sherkat, que apóia o casamento gay, não criticou sua pesquisa publicamente antes do início da auditoria?

Sim. Não vou revidar, mas é verdade. E ainda assim, a auditoria concluiu que o processo de publicação do estudo não foi comprometido. Estudiosos se criticam mutuamente o tempo todo, mas dessa vez parece ser algo pessoal.

Seu estudo tem algo a contribuir para a atual discussão sobre a legalização e aceitação cultural do casamento homossexual?

O objetivo do estudo em si não foi nem de minar e nem de afirmar qualquer tipo de direito legal sobre o casamento homossexual. Dito isso, o NFSS e outros estudos sólidos são uma boa fonte de orientação para os cidadãos, independente de suas perspectivas pessoais.

Refletindo agora, você acha que, como pesquisador, foi responsável de sua parte receber fundos para o NFSS do Instituto Witherspoon e da Organização Nacional para o Casamento (NOM) – dois grupos conhecidos por suas fortes convicções a respeito do casamento tradicional?

Nenhum financiamento veio da Organização Nacional para o Casamento (NOM), e sim do Instituto Witherspoon e da Fundação Bradley. (Nota do editor: os críticos de Regnerus estão ligando Witherspoon e Bradley a NOM porque Robert P.George, presidente emérito da NOM, tem fortes ligações com as duas instituições que ajudaram no financiamento do estudo de Regnerus). Como já observei no texto presente no estudo e em outras fontes, sempre trabalhei de forma independente de ambas as organizações. Nenhum representante de financiamento das agências foi consultado a respeito do projeto de pesquisa e do conteúdo da mesma, das análises ou das conclusões. Quaisquer alegações de que os financiadores tenham influenciado indevidamente são falsas.

Como você compreende sua vocação como sociólogo? O que a sociologia oferece para a sociedade como um todo que outras profissões não ofereçam?

Entre outras coisas, a boa sociologia investiga a cultura, como as estruturas funcionam, como determinadas formas de pensar e agir se tornam “normais”, como as instituições moldam nossas vidas e como se dá a mudança social. Isso pode parecer abstrato e maçante, mas é um modo fascinante e muito importante de ver e pensar o mundo e as nossas vidas. Aqueles que se aplicam a encarar esse tipo de questões muitas vezes se dão conta do quão interessante e importante a análise sociológica pode ser. E, nesse processo, eles muitas vezes vêm a entender de modo bem mais completo suas próprias experiências de vida.

Fonte: Cristianismo Hoje

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

DISCIPLINAS ESPIRITUAIS

Por: Paulo Fabrício*

”Como cultivar hábitos que nos aproximam de Deus e aperfeiçoam o nosso caráter.”
 Uma pessoa disciplinada, é aquela capaz de fazer a coisa certa, no momento certo, do jeito certo e com a motivação certa, para alcançar objetivos certos.

O que significa DISCIPLINA?
 O Dicionário Michaelis, de língua portuguesa, define a palavra assim:
 dis.ci.pli.na – s. f. 1-Conjunto das obrigações que regem a vida em certas corporações, em assembléias etc. 2- Submissão a uma regra, aceitação de certas restrições.


 A palavra disciplina e a palavra discípulo vem da mesma raiz. É impossível ser um discípulo sem ter disciplina. Como cristãos, muitas vezes ignoramos a necessidade de exercitar as disciplinas espirituais. Oração, Meditação, Estudo da Palavra, Jejum, entre outras devem ser desenvolvidas cada dia

 Os benefícios das disciplinas espirituais

 Por que devemos ter uma vida espiritual disciplinada?
 O apóstolo Paulo compara a vida cristã a uma competição de atletismo. Em 1Coríntios 9.24-27, Paulo compara o cristão a um atleta, dizendo que: assim como um atleta precisa treinar rigorosamente durante muito tempo para que consiga obter uma boa colocação nas Olimpíadas, um cristão precisa disciplinar-se para viver como Jesus Cristo viveu.

 Amar nossos inimigos, refrearmos nossos pensamentos pecaminosos, orar pelos que nos amaldiçoam, falarmos sempre a verdade, mantermos a paz em meio às necessidades materiais, cultivarmos a alegria quando estamos doentes ou desempregados, e tantas outras exigências da vida cristã requer exercício. Se não nos exercitarmos diariamente nas disciplinas espirituais, não teremos força suficiente para superarmos esses desafios do cotidiano.

É bom lembrarmos também que:
 a) o judaísmo era marcado por disciplinas;
 b) Jesus e os discípulos praticavam disciplinas espirituais;
 c) em toda a História da Igreja, cristãos sinceros também cultivavam as disciplinas.

 Por que temos aversão à disciplina?

 Infelizmente os cristãos modernos sentem aversão até mesmo à palavra disciplina. Nos lembramos dos monges da Idade Média, enclausurados em celas, isolados do mundo; visualizamos os católicos se penitenciando por algum pecado e recitando suas rezas; assistimos aos muçulmanos que se auto-flagelam e chegam a cometer suicídio religioso; e pensamos em evangélicos fanáticos que praticam disciplinas espirituais (jejuns, orações, vigílias, etc.), buscando obter a salvação ou o perdão dos pecados, através delas.

 Disciplinas espirituais

 Inúmeras disciplinas poderiam ser mencionadas em nossa aula. Cristãos do mundo todo já praticaram incontáveis disciplinas espirituais, que contribuíram muito para o seu enriquecimento espiritual e para o progresso do Reino de Deus. Atividades como: fazer vigílias, manter um diário espiritual, separar um dia da semana para estar a sós com Deus, fazer visitas a bairros pobres, hospitais ou asilos, ler bons livros cristãos, sacrificar algo, etc. Disciplinas como essas podem contribuir muito para o crescimento espiritual de quem as pratica regularmente. Vamos estudas as seis disciplinas espirituais que mais se destacaram ao longo dos séculos entre os cristãos:

1. Oração:
 A oração é prática indispensável para aqueles que desejam viver em comunhão com Deus. É impossível ter comunhão com quem não nos relacionamentos. Do mesmo modo, é impossível ter comunhão com Deus se não orarmos regularmente.
 Leia os textos: Mt 6.6, 6.11, 14.23 e 26.36; Lc 18.1-8 e 22.40; At 1.14 e 2.42; 1Ts 5.17; Tg 5.17.

2. Leitura Bíblica:
 A Bíblia tem um papel vital na vida cristã. Ela é a revelação clara de Deus para os seus filhos. A Palavra de Deus contém orientações claras de como devemos viver, nos relacionar com Deus, reagirmos às tribulações da vida e resistirmos ao mal (o Salmo 119 exalta a relevância da Palavra de Deus).
 Leia os textos: Jo 8.31,32 e 15.3; Rm 10.17; Ef 5.26; 1Tm 4.5; 1Pe 1.23.

3. Jejum:
 Uma das práticas mais negligenciadas pelos cristãos modernos é a disciplina do jejum. Não conseguimos enxergar propósito em nos abster do alimento diário, para dedicarmos um tempo especial a Deus e à Sua Palavra. Mas a verdade é que a prática do jejum pode ser de importância fundamental para o nosso crescimento espiritual, pois através do jejum ordenamos nossas prioridades, considerando as necessidades espirituais acima das físicas.
 Leia os textos: Mt 6.16,17 e 17.21; At 13.3.

4. Intimidade com Deus - Separar tempo com Deus :
 Jesus era alguém que regularmente buscava a Intimidade com o PAI. Inúmeras passagens dos Evangelhos demonstram Sua necessidade de separar um tempo especial para ficar a sós com o Pai. A Separação (intimidade) é de vital importância para aqueles que querem: considerar seriamente alguma questão fundamental da sua vida, avaliar seu próprio caráter e conduta, ouvir uma orientação específica de Deus, resolver um conflito interpessoal, ser curado emocionalmente, etc.
 Leia os textos: Mt 14.23 e 26.36; Mc 6.46; Lc 6.12; 1Co 11.28.

5. Comunhão:
 Não fomos salvos para vivermos em solidão. Por isso Deus nos reuniu como igreja. Deus não nos salvou e nos mandou para nossas casas, mas inseriu-nos em um corpo – a igreja de Cristo. A comunhão com os outros membros do corpo é responsável pelo crescimento pessoal e edificação espiritual daqueles que foram salvos por Cristo. Os “mandamentos de mutualidade”, por exemplo, dão demonstrações da relevância e dos benefícios da comunhão.
 Leia os textos: Rm 12.10 e 15.14; Cl 3.16; 1Ts 4.18 e 5.11; Hb 3.13 e 10.24,25; Tg 5.16.

6. Serviço cristão:
 Fomos chamados para servir. E uma das ferramentas mais eficazes para a transformação do nosso caráter é o serviço cristão. Quando servimos é que somos mais parecidos com Jesus Cristo – aquele que veio para servir. Jesus disse que o serviço ao próximo é uma das marcas daqueles que são realmente seus discípulos.
 Leia os textos: Mt 20.28 e 25.34-40; Jo 13.12-15; Gl 5.13


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

NÃO SE CONTENTE COM SUA PREGAÇÃO MEDÍOCRE


Por Paul Tripp*

"Nosso evangelho não chegou até vós tão somente em palavra, mas, sobretudo, em poder, no Espírito Santo e em plena convicção." 1 Tessalonicenses 1.5


Quero examinar um lugar onde há demasiada mediocridade na igreja de Jesus Cristo: a pregação. Por cerca de 40 finais de semana por ano eu estou com alguma parte do corpo de Cristo em algum lugar do mundo. Muitas vezes, não sou capaz de sair no sábado e, por isso, vou assistir ao culto da congregação local (quando não estou programado para pregar). O que estou prestes a dizer provavelmente vai me encrencar, mas estou convencido de que precisa ser dito. Estou triste e angustiado por dizer isso, mas já estou cansado de ouvir palestras teológicas chatas e mal preparadas, dadas por pregadores não inspirados, lendo manuscritos, e tudo isso feito em nome da pregação bíblica.

Não estou surpreso que as mentes das pessoas divaguem. Eu não estou surpreso que as pessoas têm lutado para se manter atentas e despertas. Estou surpreso que mais não têm. Eles têm sido ensinados por alguém que não trouxe as armas apropriadas para o púlpito, a fim de lutar por eles e com eles. A pregação é mais do que regurgitar seu comentário exegético favorito, reformular os sermões de seus pregadores favoritos, ou remodelar as notas de uma de suas aulas favoritas do seminário. É trazer as verdades transformadoras do Evangelho de Jesus Cristo de uma passagem que foi devidamente compreendida, convincentemente e praticamente aplicada, e entregue com a ternura envolvente e a paixão de uma pessoa que foi quebrantada e restaurada pelas verdades que ela irá comunicar. Você simplesmente não pode fazer isso sem a devida preparação, meditação, confissão e adoração.


Simplesmente não dá para você começar a pensar em uma passagem pela primeira vez no sábado à tarde ou à noite e dar o tipo de atenção que ela precisa. Você não será capaz de compreender a passagem, de ser pessoalmente afetado e de estar preparado para dá-la aos outros de uma forma que contribua à contínua transformação deles. Como pastores, temos que lutar pela santidade da pregação, ou ninguém mais o fará. Temos que exigir que os afazeres do nosso trabalho permitam o tempo necessário para se preparar bem. Temos que arranjar tempo em nossas programações para fazer o que for necessário para cada um de nós, considerando nossos dons e nossa maturidade, estejamos preparados como porta-vozes para nosso Rei Salvador. Não podemos acomodar com padrões que denigram a pregação e degradem a nossa capacidade de representar um Deus glorioso de uma graça gloriosa. Não podemos nos permitir estarmos muito ocupados e distraídos. Não podemos estabelecer padrões baixos para nós mesmos e para aqueles a quem servimos. Não podemos nos desculpar e acomodar. Não podemos nos permitir espremer mil reais em preparação em poucos centavos de tempo. Não devemos perder de vista Aquele que é Excelente e a excelente graça que fomos chamados para representar. Não podemos, porque estamos despreparados, deixar Seu esplendor parecer chato e sua maravilhosa graça, ordinária.


A cultura e disciplina que envolve a nossa pregação sempre revelam o verdadeiro caráter de nossos corações. É exatamente aí que a confissão e o arrependimento precisam acontecer. Não podemos culpar as exigências de nosso trabalho ou nossa ocupação. Não podemos apontar o dedo para as coisas inesperadas que aparecem no calendário de cada pastor. Não podemos culpar as demandas da família. Temos que humildemente confessar que a nossa pregação é medíocre e que não está subindo ao patamar para o qual fomos chamados. Nós somos o problema. O problema é que perdemos a nossa admiração, e com essa perda nos acomodamos em apresentar a excelência de Deus de uma forma que não é nada excelente. Qualquer forma de mediocridade no ministério é sempre um problema do coração. Se isso o descreve, então corra ao seu Salvador em humilde confissão e abrace a graça que tem o poder de resgatá-lo de si mesmo, e, ao fazer isso, restaurar a sua admiração.


Fonte: Blog FIEL

*Dr. Paul David Tripp (MDiv, DMin) é membro da equipe pastoral da Tenth Presbyterian Church em Filadélfia, professor de vida e cuidado pastorais em Fort Worth, Texas e autor de vários livros sobre vida cristã. Entre outros, escreveu com Timothy Lane Relacionamentos - uma confusão que vale a pena (Cultura Cristã). Paul é casado com Luella e o casal têm quatro filhos adultos.
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